domingo, 2 de dezembro de 2007

POLÍTICA: ABORDAGENS ESPECÍFICAS

Nosso povo cordial vez por outra traz à baila aquela máxima de que não se discute "política, futebol e religião". Não estamos aqui para reprimir a boçalidade do povo, mas sim para faturar alguma coisa.

A política, mais por interesses escusos ou ideologias distorcidas, provoca mesmo muitas paixões neste país. E, se você quer obter êxito na conquista de uma "politizada", é bom seguir algumas dicas.

Obviamente, cada "tipo" exige um comportamento próprio.

A Ultra-Esquerdista
É uma grande mentira essa história de que toda esquerdista radical tem bigode. Esse mito já foi derrubado inúmeras vezes, e hoje em dia é possível encontrar muitas que sejam razoavelmente palatáveis.

Para ganhá-la, não adianta simplesmente decorar as palavras-de-ordem e os gritos de guerra de sua agremiação (P-SOL, PSTU, PCO etc). Você precisa "entrar na personagem", de modo a convencê-la de que você realmente acredita em toda a patacoada socialista.

É preciso ser um bom ator, para fazer sair aquela lagriminha ao mencionar a luta de classes, bem como fazer saltar veias no pescoço ao falar da desigualdade social.

Fora isso, não há outras grandes preocupações. Não é preciso ler qualquer autor, já que elas não lêem nem o próprio Marx.

A Petista
Essa daí é um caso mais sério. Ela já foi parecida com a anterior, mas hoje é bem diferente. Não se fala mais em socialismo ou coisa do tipo, mas sim na defesa da própria legenda. É mais ou menos como no caso daqueles integrantes de torcida organizada que parecem torcer mais para a própria torcida do que para o time.

Resumindo: você não pode atacar o PT e, bem ao contrário, deve ter na ponta da língua todas as desculpas usadas pelo partido para justificar as mancadas dos últimos tempos.

Quando alguém falar em "mensalão" você diz que nada está provado; quando alguém falar que o Governo não é suficientemente "de esquerda", você diz que já foram feitas mudanças significativas. E assim por diante.

A mulher petista vai se apaixonar por você em questão de segundos. Ah! Não esqueça a barba-por-fazer e a estrelinha no peito!

A Tucana
Ela lembra um pouco a petista, pois na verdade não tem exatamente uma ideologia, mas sim apego ao partido. Porém, assim como acontece no catolicismo brasileiro, há no grupo das tucanas uma categoria esquisita: a "não praticante".

Ela vota no PSDB, defende idéias do partido, mas não é ligada às liturgias partidárias, nem sabe quem-é-quem no jet-set do tucanato. Simplesmente não vai muito com a cara do PT, nem tem mais coragem de votar no povo ligado ao Maluf.

Assim, quando se tratar de uma mulher tucana (praticante ou não), você precisa: a) atacar o PT; b) atacar o malufismo, carlismo e todo tipo de oligarquia; c) defender (óbvio) o PSDB; d) fingir que o PSDB nunca se aliou ao PFL; e) fingir que FHC nunca apareceu junto de Maluf em um outdoor; f) fingir que a Havanir Nimtz (ex-Prona) não é do PSDB.

A parte boa da tucana é que ela, na verdade, não gosta de política (tanto que é tucana!). Então, basta simplesmente não falar em política.

A Malufista/Pefelê
Essa categoria tem duas subespécies: a "partidária" e a "simpatizante". Claro, todo partido conta com isso, mas neste caso a diferença é GRITANTE.

Explico.

A partidária é aquela que faz parte do negócio, ou tem familiares que já integraram administrações geridas por essa turma. Enfim, vocês sabem de quem estou falando. Curiosamente, porém, elas não são tão nervosas e até aceitam brincadeiras.

A simpatizante é que dá problema. Ela realmente acredita nas "idéias" desses políticos das antigas, e refuta com veemência as denúncias e acusações - mesmo as mais óbvias e já comprovadas.

O que fazer? Ora, concorde com tudo, dê uma força nesse momento de tristeza, mágoa e derrota política, e o resto é só alegria.

A Direitista Conservadora
Assim como nem toda esquerdista radical tem bigode, nem toda direitista conservadora é contra o sexo. Nada disso! Muitas delas gostam e muito, ao contrário do que teoricamente se espera de uma conservadora.

Aliás, quem não gosta?

E, contradição por contradição, se a comunista anti-americana e anti-corporativa pode fumar Marlboro, porque a conservadora não pode aprontar das suas? Este é um mundo livre.

A conservadora, obviamente, odeia toda a esquerda, bem como os progressistas em geral. Concorde com ela, mas TENTE O TEMPO TODO AFASTAR O ASSUNTO DA POLÍTICA.

Isso porque, enquanto o tema estiver em comento, ela será uma tenaz defensora da tradição, da família e, claro, da propriedade. Mude o tema para música ou algo assim, que ela misteriosamente se tornará menos radical. E as coisas ficam mais fáceis.

2 comentários:

genildolopes disse...

Gostei muito dessas dicas, alias nao imaginava que isso era relevante em uma abordagem.... parabens pela dica.

Lima disse...

Porra, adorei o artigo, concordo plenamente.